Quinta-feira, Junho 30, 2005

O fim do barnabé está a ser bonito

O fim do Barnabé está a ser bonito. Escritos do Fernando Pessoa. O André Belo está de volta para escrever nos últimos 3 dias do Barnabé. Viva o Barnabé.
I know not what tomorrow what will bring.
Fernando Pessoa, na véspera da sua morte.
(As coisas que se aprendem no Barnabé.)

E parece que é mesmo o fim do barnabé

O barnabé, tudo indica, vai mesmo acabar. Como já havia dito, é uma pena. Perde-se um excelente blogue.

Quarta-feira, Junho 29, 2005

O quarto país mais rico do mundo

Pois é, vivo no quarto país mais rico do mundo: o Reino Unido. Mas, palavra de honra, custa a acreditar.

O metro de Londres está a cair de podre. Os sistema ferroviário está velho e a necessitar de uma urgente reabilitação; os comboios são cheiram mal e não há ano sem acidente — normalmente envolvendo um ou mais comboios e levando a vida de algumas dezenas de passageiros. As pessoas vestem-se mal. As casas são pequenas, muito miseráveis, e, normalmente, têm um insuportável cheiro a mofo. O serviço de saúde é também muito mauzinho, melhor que o português — mas também qual é o sistema de saúde que não é melhor que o português? —, mas muito mau se considerarmos outros países ricos. Tenho tão má impressão do sistema de saúde inglês que se um dia tiver um problema de saúde, prefiro ir para Portugal do que ficar aqui em Inglaterra.

À maioria dos ingleses, especialmente os do norte de inglaterra, aonde vivo, falta-lhes civilidade — nem é preciso vir a Inglaterra para se chegar a esta conclusão, basta ir até ao Algarve. O melhor mesmo é esquecer aquele estereótipo do english gentleman, isso é mesmo coisa de filmes; se eles existem, devem estar muito bem escondidos com medo de serem infectados pela bruteza dominante. Na verdade, a única coisa de país rico que eu vejo aqui é só mesmo o custo de vida.

Às vezes penso que os ingleses são como o tio patinhas. Guardam as moedinhas a sete chaves no cofre forte e vivem em grande austeridade. Quem não conhece a realidade económica deste país até ficará com a idea de que os ingleses são pobres, ou, pelo menos, que não são ricos.

Vai-se a outros países ricos e nota-se a diferença com a realidade britânica. A Alemanha, por exemplo, tem excelentes infra-estruturas; as cidades grandes e médias alemãs têm excelentes sistemas de transporte. As pessoas dos países da europa rica, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, etc, também são mais civilizadas.

O mais chocante é mesmo a falta de civilidade dos ingleses. E digamos, sem papas na língua, a falta de higiéne da generalidade dos ingleses — são um bocadinho porquinhos. Há dias, o director do metro de Londres apelou aos passageiros para tomarem banho, como consideração pelos outros passageiros do metro. Eu próprio — palavra de honra — já tive que fazer apneia durante três paragens do metro de Londres, até que o responsável pelo pivete saiu e eu pude voltar a respirar normalmente. Um dia tive que ir a um centro de saúde do sistema nacional de saúde inglês e, quase não queria acreditar, o chão de quase todo o centro de saude estava coberto de carpete — leram bem meus amigos, carpete! Como digo, o mais surpreendente é que este é o quarto país mais rico do mundo e a imagem que passa lá para fora não é esta.

Para demonstrar esta realidade deixo aqui algumas fotografias. As duas primeiras foram tiradas no aeroporo de Londres, em Gatwick. Reparem que as cadeiras do aeroporto têm estofos de pano — de pano, imaginem, mas quem é que foi o génio que desenhou esta merda? —, o estado de sujidade destas cadeiras, e o lixo que está nas mesas — é importante referir que há vários caixotes do lixo espalhados pelo aeroporto. A terceira foi tirada num comboio, reparem no lixo que foi deixado por um passageiro.

Para concluir. Quando ouvirem o Tony Blair dizer que "a Europa muda ou morre", pensem duas vezes. Se tiver que mudar para ser como o Reino Unido acho que não estamos lá muito bem. Aliás, as profecias do senhor Blair já nós as conhecemos muito bem.







Andam às turras no Barnabé

E por falar em Sérgio Godinho. As coisas não estão lá muito bem no famoso blogue cujo nome é inspirado numa canção do Sérgio Godinho: o Barnabé. Ao vivo e a cores podemos assistir às desavenças entre os barnabitas. O Daniel Oliveira, um dos fundadores do blogue, já disse que não escreve mais no Barnabé. O Rui Tavares, outro dos fundadores, já disse que não terá tanta disponibilidade para escrever. A verdade é que se o Rui Tavares deixa de escrever, o Barnabé morre. Ele tem sido a alma daquele Blogue (é um dos autores que eu mais gosto de ler na blogosfera.)

Todas estas desavenças, se devem à entrada de novos autores para o Barnabé que descaracterizaram o blogue. O Barnabé como que perdeu a linha ideológica que o caracterizava. Vamos ver como as coisas correm. Se o Barnabé é para ficar ou se morre, sendo substituído por um outro blogue do Daniel Oliveria e do Rui Tavares. De qualquer forma é uma pena. O Barnabé é um excelente blogue; um dos blogues de referência na blogosfera lusa.

Já estou outra vez com saudades da Lisboa que Amanhece

Regressei a Iorque apenas há quatro dias. Mas já estou, outra vez, cheio de saudades de lisboa e de Portugal — isto passa. Para aliviar a saudade fica a tocar aqui no BNC o Lisboa que Amanhece do Sérgio Godinho.

Terça-feira, Junho 28, 2005

Em Portugal comemos assim


Caracóis


Pasteis de Nata


Sardinhas Assadas


Massinha de Peixe


Carne de Porco à Alentejana


Feijoada de Búzios

Na noite de Santo António em Lisboa, é sempre a curtir

Fica aqui o post que eu deveria ter feito há duas semanas atrás. Só feito de imagens — palavras para quê?







Segunda-feira, Junho 27, 2005

De volta

Após duas semanas de férias em Portugal, estamos de volta a Iorque. Ficam aqui as nossas desculpas por estarmos duas semanas sem afixar aqui nada sem aviso prévio. Eu pretendia blogar em Portugal, só que tive um problema no meu laptop e não o pude fazer. A partir d'agora, vamos tentar afixar com mais regularidade.

Sexta-feira, Junho 10, 2005

In Italia si nega il diritto al voto

Domenica in Italia si vota si o no all'abolizione di 4 articoli della legge sulla fecondazione assistita. In pratica, votando si, si vota no allo stato clericale, no all'oscurantismo antiscientifico, no alla revisione della legge 194 sull'aborto, no allo stop alla ricerca scientifica nel mio paese.

Qualche anno fa, si e' parlato tanto del voto degli italiani all'estero, e il dibattito e' poi sfociato in una legge, che ha garantito il diritto di voto agli italiani residenti all'estero. Il promotore della legge e' un ministro ex-fascista, a cui sono molto cari gruppi di votanti italo-americani, residenti a New York, ben noti elettori dello stesso partito ex-fascista. Ad onor del vero, la legge e' risulltata, come le peggiori nefandezze italiane, da un accordo "bipartisan"(che bella parola, piace anche a D'Alema). (By the way, i profili on-line del ministro Tremaglia partono tutti dal 1946, quando si iscrive al movimento sociale -partito fascista, che cosi non si poteva chiamare perche la costituzione repubblicana proibisce la ricostituzione del partito fascita-: chissa' cosa faceva prima..).
Bene, io non ho doppia cittadinanza, non ho residenza ufficiale all'estero, sono cittadina italiana residente in Italia. Il mio domicilio e' all'estero per motivi di studio e per questo motivo mi si nega il DIRITTO AL VOTO.

Questo fatto e' ancora piu grave nel caso del referendum perche la validita' del risultato dipende dalla partecipazione dei votanti. E' ancora piu grave perche' il fronte clericale non ha invitato a votare no, besni all'astensione. Non solo, mi si nega il diritto al voto, ma mi si IMPONE DI VOTARE NO contro la mia volonta'.

Sono contenta di leggere su Repubblica di oggi che qualcun altro si e' accorto del problema. La mia trafila e' stata piu o meno la stessa riportata nell'articolo. Qualcuno mi spieghi perche' io non possa votare all'ambasciata di Manchester, e dall'ambasciata di Manchester il mio voto non possa essere inviato per posta al mio seggio in tempo per lo spoglio.

E guardate questo sito: grazie a Tremaglia gli italiani all'estero possono finalmente votare!!!!!!!!
http://www.la-politica.net/governo/mirko_tremaglia.htm
Quest'altro racconta un'altra storia
http://www.contatto.virtuale.org/tremaglia.htm

Quarta-feira, Junho 08, 2005

Lince Ibérico, mais uma vez

A imprensa britânica tem estado atenta ao problema do lince ibérico. A BBC fez uma reportagem sobre os primeiros linces nascidos em cativeiro. O Independent também teve um largo artigo dedicado a este tema.

A história dos linces nascidos em cativeiro já teve um revés. Nasceram 3 crias mas já só restam duas. Numa luta por alimentação (leite), uma das crias matou a outra. Segundo os investigadores que acompanham as crias, isto é normal nesta espécie.

O Orgasmo feminino

A comunidade científica tem dedicado, nos últimos tempos, muita atenção a um problema que aflige a nossa sociedade, o orgasmo feminino. Com estas coisas do sexo não se brinca. Afinal, muito do sucesso de um país poderá estar ligado ao bem estar sexual do seu povo. Enfim, este é um problem que aflige homens e mulheres e daí a atenção da comunidade ciêntifica.

Na relação sexual, o orgasmo feminino é sempre uma questão que fica no ar. Os homens perguntam, "Então, gostaste?" Elas, com um esgar enigmático, respondem, "sim, gostei. Foi muito bom." E o homem pensa: "Mas será que ela está a dizer isto só para me agradar?"

As recentes investigações da comunidade ciêntifica têm ajudado a esclarecer este problema. Tudo indica que o problem do orgamos feminino se reduz a uma questão de genes (aqui e aqui).

Acording to a study published this week, up to 45% of the differences between women in their ability to reach orgasm can be explained by their genes. Despite decades of surveys and conjecture about the role of culture, upbringing and biology in female sexual function, from Freud in 1905 to the Hite report in 1976, this is the first study of the role of a woman’s genes.

Its findings suggest there is an underlying biological basis to a woman’s ability to achieve orgasm. Whether that basis is anatomical, physiological or psychological remains uncertain, says Tim Spector of the twin research unit at St Thomas’ Hospital in London, UK, who carried out the study.

“But it is saying that it is not purely cultural, or due to peer pressure, or to differences in upbringing or religion,” he says. “There are wide differences between women and a lot of these differences are due to genes.” (New Scientist)

Estes dados vêm deitar por terra a crença popular, fortemente arraigada, de que o orgasmo feminino depende da aptidão masculina. A mitologia masculina diz: "Se o gajo é bom de cama a gaja vem-se; se o gajo não presta a gaja não se vem. É tudo uma questão de performance sexual do macho." Mais preocupante ainda, é o facto de a maioria das mulheres sentirem o orgasmo com mais frequência através da masturbação do que da relação sexual propriamente dita.

A third of the women said they never or seldom achieved orgasm, while more than a tenth said they always had an orgasm during intercourse.

More of the women were able to orgasm during masturbation, with 34% always reaching orgasm. (BBC)

E agora? Será que não há um ciêntista que se preocupe em investigar a influência do homem no orgasmo feminino? É que eu já começo a ficar preocupado. Tudo aquilo em que acreditava desmoronou-se, como um castelo de cartas, assim de um dia para o outro. Então e agora?

Terça-feira, Junho 07, 2005

Africa cries freedom

Bob Geldof and Tony Blair make me sick. All this fuss on Africa makes me sick. I am watching BBC. Bush is saying "I believe we can eradicate poverty". I can't figure out which poverty in which country he is talking about. I am even more sick.

On the Independent on Sunday a good article by W. Esaterly explaines why the debt relief issue is bullshit, and why Jeffry Sachs maybe a good theorist, but, when it comes to the real world, hisMIT economics excellence amounts to limited and simplistic thoughts. As an economics research student, I feel bad about it: another lost occasion. Anyway, this was just to say I am not repeating on the same issues.

I would like to blog a couple of thoughts that came to my mind:
  1. Why not proposing a moratory on weapons provision to Africa's war lords and/or government? To my knowledge, there are at least three european countries profiting from selling weapons to Africa: UK, Italy, and France.
  2. Why not changing our attitudes and stop patronising the poor of the world? Can we stop thinking of people from Africa as children that need to be taught, led, helped, etc?
  3. Why is nobody pointing the problem of the increase in population? Do you think your country would do any good if its population doubled in 30 years?
  4. Why is nobody pointing the problem of superstition and religion, that is keeping the people of Africa unaware of health risks and remedies to virus such as HIV and Ebola .
I am sick of those celebrities pitying children dying of malaria, buying them a 4$ nest and then leaving them to a life of no education, no health, no political social rights. A life not worthy to live. Whether you are poor in Africa - you will starve - or poor in the US and the UK- you will be obese (the middleclass man will tell you it is definitely your fault- so why he has to pay the NHS to treat your obesity) - the philosophy is the same: there is no dignity for you. But you will make Sharon Stone and Bob Geldof feel better with thenselves.

Two movies for Africa. A forgotten one made in the 80s: Cry Freedom, the story of Steven Biko (director Richard Attenborough). And Hotel Rwanda, which unfortunately came to the UK in a very very limited release.

Domingo, Junho 05, 2005

Cérebro electrónico nenhum me dá socorro

Toca agora aqui no BNC "cérebro electrónico" do Gilberto Gil.

Sexta-feira, Junho 03, 2005

E Agora Europa (II)?

Hoje no público, há dois artigos de opinião muito bons sobre a crise europeia após o não à constituição na França e Holanda. Dizer simplesmente non de Anne Applebaum, jornalista do Washington Post, uma visão do outro lado do Atlântico sobre a crise europeia. E Latitude Zero do jornalista português, Miguel Sousa Tavares.

O debate está definitivamente lançado. E agora Europa?

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Non e Nee! E agora Europa?

O tratado constitucional da união europeia foi rejeitado em referendo por Franceses e Holandeses. Em França o Non obteve 57,26% contra 42,74% do Oui. Na Holanda, a vitória do Nee foi ainda mais esmagadora, 63% contra 37% do sim. Tudo indica que o tratado estará mesmo morto. Em breve o governo britânico deverá anunciar que já não irá referendar a constituição, após a rejeição da França e Holanda.

Franceses e Holandeses rejeitaram a constituição por motivos semelhantes. Ambos os países econtram-se em recessão económica e têm elevadas taxas de desemprego. Mas por toda a europa fica a impressão que se está a avançar demasiado depressa, que as decisões dos políticos europeus estão cada vez mais afastadas da vontade dos seu cidadãos. Os europeus da antiga união estão descontentes com o alargamento da UE aos países de leste. Com a possibilidade de os seus postos de trabalho moverem para estes países. Com a possibilidade de adesão da Turquia. Com a imigração que não para de crescer.

Sobretudo falta clarividência ao projecto europeu. Que união queremos? Uma verdadeira união política ou apenas uma união económica. Com o alargamento a leste e a possibilidade de adesão da Turquia, o sonho da europa federal (os estados unidos da Europa) parece cada vez mais comprometido.

Aproveitemos este tempo para pensar que união queremos. Termino este post com uma citação de um leitor do Independent:
Are the people of Europe purely interested in a better standard of life or are they more concerned to become the dominant power in the world? Can a common market with huge disparities in wealth function properly and what can be done if this situation needs to be remedied? How do we decide about new members?

Quarta-feira, Junho 01, 2005

Our Sunday at Hebden Bridge

Last sunday we went to Hebden Bridge to relax and walk. The region of England where we live, Yorkshire, is full of nice places to walk (or hike). These walks are very popular among the british. Since we have to live here (I'd rather be in Lisbon to be honest) we might as well take advantave of this stuff.


Hebden Bridge is situated in a valley of the Peninne Hills, along the river Calder. The town is full of old mills, a legacy of the industrial past of the town; this area played a central rôle in the english industrial revolution. Nowadays, Hebden Bridge has given over to tourism.

We leave you some photos.


Hardcastle crags.


An old mill in the Hardcastle crags.


The Rochdale Canal.