quarta-feira, abril 12, 2006

Bater no fundo

Estou um pouco chocado com o baixo nível da coligação de centro-direita liderada por Silvio Berlusconi. Na verdade, estou um chocado com o baixo nível da política italiana em geral. O que até pode parecer estranho, porque sou português e Portugal não costuma primar pela suas virutudes democráticas entre os seus parceiro europeus. Mas parece-me que até Santana Lopes, quando comparado com estes políticos italianos que se dizem de centro direita (eu diria que são fascistas), é um anjinho. Pois, fico chocado com a total falta de respeito pelas regras do jogo democrático e pela democracia em geral, demonstrada pelos políticos de centro-direita.

Razão tinha o personagem polaco do novo filme de Nanni Moreti, Il Caimano (que recomendo vivamente), quando diz que quando se pensa que os italianos já bateram no fundo, a verdade é que conseguem sempre escavar um pouco para se afudarem ainda mais.

E a escavação parece não ter fim. Duarante a campanha foram os insultos aos eleitores de esquerda que Berlusconi apelidou de coglioni, o insulto aos magistrados italanos, e o uso e abuso do império mediático de Berlusconi e da própria RAI para promover Berlusconi. Ontem, durante a tarde, mais de 7 horas depois de conhecidos os resultados definitivos das eleições italianas, Berlusconi reage, enfim, aos resultados eleitorais. Para começar fá-lo na sede oficial do governo italiano (o palácio Chigi em Roma), e não na sua sede de campanha. Depois não deu os parabéns a Romano Prodi pela vitória nas eleições, disse que só o fará depois de reverificada a contagem dos votos. E para finalizar teve a lata de dizer que o pais está dividido e que, portanto, precisa de um governo de unidade nacional.

Por um voto se ganha e por um voto se perde. Apesar da coligação liderada por Prodi ter ganho as eleições por apenas 25 mil votos, a verdade é que as ganhou e dispõe de uma maioria no senado e na camara baixa, e, por isso, tem toda a legitimidade e margem de manobra para governar. O caso italiano não é o mesmo que o alemão, aonde não havia uma maioria à direita ou à esquerda. Prodi tem uma maioria, pode governar, e é isso que vai fazer. A proposta de Berlusconi, foi, aliás, rejeitada de imediato por Prodi.